Futilidade

22:36

Estava na rua mais imunda da cidade, sentindo pedintes, revolucionários, assaltantes e maltrapilhos dominarem meu campo de visão. Minha audição, por outro lado, captava apenas barulhos estressantes e exagerados: carros, ônibus, gritos, choros... Me encontrava no meio de tal confusão cotidiana, tentando encontrar o local onde eu já deveria ter chego há 5 minutos. Já havia sido abordada por uma jovem, comprado um pastel de queijo e observado algumas vitrines, mas o prédio de número 110 insistia em não cruzar meu caminho. Felizmente, 5 minutos mais e lá estava eu, fazendo meu cadastro na portaria de um edifício esquisito e nada moderno. Pensei no meu medo de elevadores ao me deparar com um modelo antiquado, e tentava me concentrar nos fatos: elevadores são o meio de transporte mais seguro do mundo. Mas onde foi que eu tinha ouvido isso, mesmo?

Chegou a ser engraçada a sensação que tive no momento em que a porta se abriu. Em minha mente eu pulava de alegria e cantarolava a bossa nova que saía de alguma caixa de som embutida no teto de gesso. Yes! Ar condicionado, sofás macios, mesa de centro minimalista e bebedouro com 2 temperaturas. Quadros de paisagens, balcões de mármore, revistas de celebridades e alta costura. O paraíso era ali, naquele consultório médico.

"Eu tenho horário para as 16:300h!". "Tinha, no passado, querida. Já são 16:40h!".

Mas naquele lugar, nenhuma grosseria me atingiu.
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Escrito em 12/03/2013

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